sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Se eu pudesse...

...começar a escrever como quem te dá bofetadas na cara, e alguns pontapés nas canelas, seria tudo muito mais fácil.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Digam-me por favor

E isto é muito importante, se alguém gosta do cheiro da Fnac? Algum de vocês tem de saber que a Fnac tem um cheiro... e outros, tal como eu, sabem e gostam desse cheiro. Digam-me que gostar do cheiro da Fnac é uma coisa perfeitamente banal, por favor!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.

o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

É bom, tão bom...

P1014760

...sentirmos verdade nos gestos que praticamos diariamente.

Nonsense ficção ou ambos?

Nada neste blogue é baseado em factos reais.

(e eu sou uma tipa cheia de imaginação)

Ó puta de vida

Descobri hoje e já partilhei, que afinal eu sou uma extraterrestre. Vim ao planeta terra fazer um inventário dos tipos existentes, que habitam por aqui.
Ando um bocado à toa, pois consigo encontrar diariamente, seres inexplicáveis. Vidas aparentemente normais que se desdobram numa multiplicidade de outras vidas. Descubro vidas dentro de vidas.

Disto isto, pensando eu estar numa situação muito complicada, vejo o meu chefe que há dias só chora, raptar a minha colega para um desabafo (diz-se por ai que se tentou matar).
O meu patrão que arrancou um siso grita que não consegue estar aqui (diz-se que a namorada acabou com ele) e os outros dois seres que costumam habitar este espaço, sairam com uma régua de metal e dois sacos plásticos na mão. _ Olha toma conta da barraca.

Afinal, digam-me lá, qual é o problema de estar a viver um desgosto de amor?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

I learned to live half alive...


And now you want me one more time

And who do you think you are?

Lembro-me tão bem

... do dia em que decidi ir a um psicólogo. Marquei e fui a uma única consulta.
Entrei, sentei-me e comecei a falar, a falar. Foram poucas as perguntas. Uma hora inteira a falar sem parar.

Sabe, é que eu não quero isto, não acredito que seja por aqui. Não acho que as coisas tenham de ser assim. Assim não faz sentido. E a minha filha... e daqui a uns anos? Como será daqui a uns anos? Mas assim não dá. Entende? Pois é, entende perfeitamente. E o resto? E tudo o resto?

E as perguntas surgiam e eu respondia. Foram 60 minutos que pareceram 5. No fim, ela olhou para o relógio e disse-me:

O tempo acabou. Já passou uma hora. Sabe uma coisa? Você tem o seu pensamento todo estruturado. Não há falhas, não há dúvidas. Não há nada de irracional em tudo o que me disse. Não precisa de um psicólogo. O que você tem é falta de coragem. E falta de coragem ninguém pode ter a vida toda.

75 euros depois saí com um carimbo a dizer: COBARDE. Conseguia imaginá-lo ali, vermelho, escarrapachado no centro da minha testa. Via-o sempre que me olhava ao espelho.

O que ela não sabe, e talvez nunca venha a saber, é que me tirou um peso de cima. Saí de lá carimbada é certo. Mas o que ela me disse, serviu-me para encher o peito de ar e mudar a minha vida.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010